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Os tipos de falácias e paradoxos cada um com o seu exemplo

O presente trabalho ira responder as diversas questões da cadeira de introdução de filosofia, com o objectivo de consolidar as aulas relacionadas com o estudo das falácias, onde vamos mostrar os tipos e seus exemplos.


FILOSOFIA AFRICANA TRABALHO FEITO AQUI

A Filosofia é uma disciplina que está presente em todos os tempos e lugares. Desde a antiguidade foi considerada a mãe de todas as ciências, pois ela busca a verdade na sua totalidade.


Introdução ao estudo das Falácia:

O termo  Falácia é uma palavra de origem grega utilizada pelos escolásticos para indicar o “silogismo sofistico” de Aristóteles.


O termo Falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro.


Segundo Pedro Hispano: “Falácia é a idoneidade fazendo crer que é aquilo que não é, mediante alguma visão fantástica, ou seja, aparência sem existência”. (P. 426)

Pedro Hispano (Papa João XXI) dedicou metade de sua obra Summulae logicales (séc. XIII) a refutação das falácias. Na lógica medieval, as falácias foram muito cultivadas, perdendo sua importância na lógica moderna.

Na lógica e na retórica, uma Falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega.

Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil. 

Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. 


É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.



As falácias que são cometidas involuntariamente designam-se por Paralogismos e as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão designam-se por sofismas.



É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a sua argumentação. Ninguém pode dizer: “Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar errado”. 


A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só esse argumento específico
Será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso.

Por exemplo, se alguém diz:

“O fogo é quente e sei disso por dois motivos:

 Ele é vermelho; e

Medi sua temperatura com um termômetro“.


Nesse exemplo, foi de fato comprovado que o fogo é quente por meio da premissa 2. A premissa 1 deve ser descartada como falaciosa, mas a argumentação não está de todo destruída.


 O básico de um argumento é que a conclusão deve decorrer das premissas. Se uma conclusão não é consequência das premissas, o argumento é inválido.

Deve-se observar que um raciocínio pode incorrer em mais de um tipo de falácia, assim como que muitas delas são semelhantes.


Atualmente, falácia é entendida como qualquer erro de raciocínio, seguido de uma argumentação inconsistente. Considerando que um raciocínio pode falhar de inúmeras maneiras, as falácias foram classificadas em formais (tentativa de um raciocínio dedutivo válido, sem o ser) e informais (outro erro qualquer). Os vários tipos de falácia foram ainda nomeados.



Os Tipos De Falácia Mais Conhecidos


  Falácia do homem espantalho – definir um termo para favorecimento próprio, utilizando posições defendidas por um opositor. Falácia muito utilizada por políticos.


  Falácia das várias perguntas 

– muito utilizada pelos advogados em ocasiões oficiais, ao fazer uma pergunta que na verdade é múltipla, ou seja, uma pergunta que vale por duas ou mais perguntas, a qual não caberia como resposta um sim ou um não. 



Um exemplo clássico desse tipo de pergunta: “Já parou de bater em seu filho? ” – Que na verdade se desdobra: “Alguma vez já bateu em seu filho? ” e “bate hoje em dia?”

 Falácia da inversão dos quantificadores – Um exemplo desse tipo de falácia seria a seguinte afirmação: “Toda a pessoa tem uma mãe, então, há alguém que é mãe de todas as pessoas”.

Falácia do apostador – Crer na regularidade de um sistema de jogo (uma roleta, por exemplo) não viciado.

Outros tipos de falácias são as seguintes: da ignorânciada “bola de neve”, “depois disso, logo, por causa disso”, (em latim post hoc ergo propter hoc), entre outras.

Vários autores indicam que a falácia se diferencia do sofismo por ser involuntária, não planejada, ao contrário do sofismo.


Falácias formais e informais mais comuns.

Falácias da ambiguidade
Usar uma afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.

Exemplo.: Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças.

Joga-se com os significados das palavras. A palavra “humanos” possui vários sentidos, pode ser um tipo de primata (sentido biológico) ou uma boa pessoa (sentido moral), mas a
Falácia usa a palavra sem considerar a diferença de sentido.
           
Anfibologia – Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido a sua má elaboração sintática.

Exemplo:

  • Venceu o Moçambique a Argentina.
  •  Ele levou o pai ao médico em seu carro.
  • Quem venceu? 2. No carro de quem?
Nesse caso, toda a frase possui sentidos diversos a depender do contexto.

Ênfase – Enfatizar uma palavra para sugerir o contrário.
Exemplo:

Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguez).
Pronuncia-se a palavra “hoje” com muita força para sugerir que ele é um alcoólatra. É uma ironia.


Apelo a motivos

Apelo à força – Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.
Exemplo:

Acredite no que eu digo, não se esqueça de quem é que paga o seu salário.
O oponente pode perder a coragem de enfrentar seu chefe porque pode perder o emprego.

Apelo à consequência – Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência é desejada.
Exemplo:

  • Você deve ser bom com os outros ou irá para o Inferno.
  •  Você nada tem a perder sendo religioso porque, se Deus existe, você será recompensado.
  • A premissa é tida como válida somente porque a conclusão nos agrada ou assusta.
Apelo ao medo – Apelar ao medo para validar o argumento.
Exemplo:

Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta.
É uma variação do apelo à consequência.

Argumentum ad Misericórdiam (apelo à misericórdia) – Também chamado apelo à piedade. Consiste no recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja relacionada ao assunto ou à conclusão do argumento.

 Do Argumento ad Misericordiam deriva o argumentum ad Infantium – “Faça isso pelas crianças”. A emoção é usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.
  
Apelo à emoção – Recorrer à emoção para validar o argumento.
Exemplo:

Apelo ao júri para que contemple a condição do réu, um homem sofrido, que agora passa pelo transtorno de ser julgado em um tribunal. O advogado quer que o júri absolva o réu por compaixão. É semelhante ao apelo à misericórdia.

Argumentum ad antiquitatem (apelo à antiguidade) – Afirmar que algo é verdadeiro ou bom somente porque é antigo ou porque “sempre foi assim”.

Exemplo:

 Os homens da caverna já faziam assim, esta é a maneira correta de se fazer.

Exemplo:

Nossos avós educavam dessa maneira, assim é o jeito certo de educar.

Argumentum ad novitatem (apelo à novidade) – Argumentar que o novo é sempre melhor, sem uma justificativa.

Exemplo:

Na filosofiaSócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente.

Argumentum ad ignorantiam (apelo à ignorância) – Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade. Só porque não se sabe se algo é verdadeiro, não quer dizer que seja falso, e vice-versa.

Exemplo:

Ninguém conseguiu provar que Deus existe, logo ele não existe. Ou o contrário.

Exemplo:

Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe.

Apelo ao preconceito – Associar valores morais, políticos, sociais ou culturais a uma pessoa para convencer o adversário ou desmerecer suas opiniões.

Exemplo:

Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.

A pessoa é estigmatizada por ser religiosa, considerada inferior ao oponente.

Apelo à vaidade – Provocar a vaidade do oponente para vencê-lo.

Exemplo:

Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nessa teoria.


O oponente, por ser muito culto, pode se sentir envergonhado de defender essa teoria “absurda”. É o contrário do apelo ao preconceito.


Apelo à popularidade – Também chamado apelo ao povo. É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas. Por vezes é chamada de apelo à emoção, pois os apelos emocionais tentam atingir toda a população.


Exemplo:


Inúmeras pessoas acreditam em Deus, portanto Deus existe.


Apelo ao ridículo – Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.


Exemplo:





Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila.

Espera-se que o oponente desista da sua convicção porque ela parece ridícula.


Erros categoriais e de regras gerais

Composição – É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.


Exemplo:

Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.


Perceba que o termo “leve” aplicado ao exemplo tem sentido vago, diferentemente de na frase “todas as peças têm 1kg; logo, o caminhão tem 1kg”, onde o valor sugerido é inequivocamente especificado, tornando óbvia a invalidade do argumento.


Divisão – É o oposto da falácia de composição. Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Exemplo:  Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.

Acidente – Trata-se de querer aplicar uma regra geral a todos os casos, ignorando as exceções.

Exemplo:

Devemos usar um protetor solar por causa da radiação UV, então devemos usá-lo hoje à noite, na praia.


Inversão do acidente – Trata-se de querer usar uma exceção como se fosse uma regra geral.

Exemplo:

Se deixarmos os doentes terminais usarem maconha, deveremos deixar todas as pessoas a usarem.


É chamada de generalização precipitada e se assemelha à amostra limitada. 


Falácias causais

Falsa causa – Afirma que apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.


Exemplo:

Ao apontar para um gráfico complicado, Rogério mostra que as temperaturas vêm aumentando nos últimos séculos, enquanto que o número de piratas vem diminuindo; logo, ospiratas causam resfriamento global e portanto o aquecimento global é uma farsa.


Depois disso, por causa disso  Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade.

Exemplo:

O Sol nasce porque o galo canta.


Inversão de causa e efeito – Considerar um efeito como uma causa.


Exemplo:


 O investimento na educação sexual causou a propagação da SIDA.


Na verdade, foi exatamente o contrário. A epidemia de SIDA levou ao incremento da educação sexual como forma de prevenção.

Terceira causa – Ignorar a existência de uma terceira causa, não levada em conta nas premissas.


Exemplo:

Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é provocado por um baixo consumo.
Há uma causa tanto para o desemprego como para o baixo consumo.

Exemplo:  A Alemanha está em crise, que é provocada pelos banqueiros judeus.

Existem outros motivos para a crise (ter perdido a Primeira Guerra pode ser uma terceira causa).

Causa diminuta – Apontar uma causa pouco importante.


Exemplo:
Fumar causa a poluição do ar em Edmonton.
A causa maior é a poluição industrial e dos automóveis.

Causa complexa – Supervalorizar uma causa quando há várias ou um sistema de causas.


Exemplo: O menino não teria sido atingido pela bola se não houvesse acabado o recreio.

Mas também não teria sido atingido se o colega não tivesse chutado a bola para cima, quando o recreio acabou.
Houve muitas outras causas.


Non-sequitur

Non sequitur (não se segue que) – Tipo de falácia no qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Exemplo: Que nome complicado tem este futebolista! Deve jogar muita bola.


A conclusão de que ele joga muito bem nada tem a ver com a premissa de seu nome complicado. É o modelo básico de uma falácia porque as premissas não levam à conclusão e podem até levar ao sentido contrário.


Afirmação do consequente – Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional da seguinte forma:


Se A, então B; B Então A.

Exemplo:




Se há carros, então há poluição. Há poluição. Logo, há carros.


Afirma-se o consequente e depois se afirma o antecedente da proposição condicional. O antecedente é o que vem depois de “se” (A) e o consequente é o que vem depois de “então” (B).


A poluição não é causada somente por carros.


Negação do antecedente – Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional da seguinte forma:


Se A, então B.
Não A Então não B.

Exemplo:


Se há carros, então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.
Nega-se o antecedente e depois se nega o consequente. A falta de carros não acarreta necessariamente a falta de poluição.

OBS: Os modos certos de argumentar são os contrários, afirmar o antecedente e depois afirmar o consequente ou negar o consequente e depois negar o antecedente.


Inconsistência  Construir um raciocínio com premissas contraditórias.


Exemplo:


João é maior do que José e José é maior do que Frederico, enquanto Frederico é maior do que João.
Qual é o maior?


Falácias da explicação

Invenção de fatos Consiste em mentir, dar falsa resposta ou apresentar informações imprecisas.

Exemplo: A causa da gripe é o consumo de arroz.


Distorção de fatos – Também chamada de omissão de dados. Mascarar os verdadeiros fatos.


Exemplo:  O segredo da minha força são os cabelos.

É omissão de informação.

Teoria irrefutável – Informar um argumento com uma hipótese que não pode ser testada.


ExemploGanhei na loteria porque Deus quis assim.


Uma proposição que não pode ser testada e refutada não possui valor. (Porém, depende do conceito teológico de Deus, pois dependo deste, podendo ser testada qualquer afirmação relativa de alguma maneira, que não precisa ser necessariamente da maneira científica, principalmente quando essa a proposição não é sobre algo observável ou experimentável).


Deus das lacunas – Responder a questões sem solução com explicações sobrenaturais e/ou que não podem ser comprovadas.


Exemplo:  Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio no acidente.

Deus supre a falta de explicações, as lacunas. É uma teoria irrefutável.

Explicação incompleta

Exemplo:

As pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros funcionam separadas.
O fato de partes diferentes do cérebro funcionarem separadamente é só um dos aspectos da esquizofrenia, mas que por si só não qualifica a doença.

Explicação superficial Usar classificações para tirar conclusões.


Exemplo:


A minha gata Elisa gosta de atum porque é uma gata.
O gato deve gostar de atum somente porque é um gato, é uma questão de categoria.

Petitio principii (petição de princípio) – Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.


Exemplo:


 É fato que a Bíblia é verdadeira, portanto todos devem buscar nela a verdade.
Trata-se de usar uma premissa que é igual à conclusão e forma com está um raciocínio circular. A Bíblia é verdadeira porque contém a verdade e contém a verdade porque é verdadeira.

De fato, a informação de veracidade da Bíblia foi usada na premissa e na conclusão, não se usou uma premissa que levasse a uma conclusão de veracidade.


Conclusão irrelevante – Obter uma conclusão que não decorre das premissas.

Exemplo:

 A lei deve estipular um sistema de cotas nas eleições para que as mulheres possam ocupar mais cargos políticos. Os cargos são dominados por homens e não fazer algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais igualitária.

 As cotas não são a solução única e obrigatória do problema, o que se requer em um raciocínio dedutivo. A conclusão irrelevante ou sofismática é do tipo non sequitur, as premissas não justificam a conclusão.


Erros de definição

Definição muito ampla

Exemplo: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.

Mas o planeta Marte também é vermelho e redondo.

Definição muito restrita
Exemplo:
 Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.
Mas há maçãs que não são vermelhas.

Definição circular – Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido.


Exemplo: A Bíblia é a palavra de Deus porque foi inspirada por Deus.
A circularidade consiste em repetir a premissa na conclusão.

Definição contraditória – Definir algo com termos que se contradizem.
Exemplo: Para serem livres, submetam-se a mim.

Definição obscura – Definir algo em termos imprecisos ou incompreensíveis.
Exemplo: Vida é a borboleta sublime que bate suas asas dentro de nós.


Falácias da dispersão

Falsa dicotomia – Também conhecida como falácia do branco e preto ou do falso dilema. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Exemplo: 

Se o sapato não é preto, ele é branco. O sapato não é preto. Logo, ele é branco. é uma falácia pois sapatos podem ser de outras cores além de preto e branco, e não se segue logicamente que se ele não é uma especifica, logo seria outra especifica(se não- preto, branco; se não-branco, preto). porém, obviamente a falácia se aplica apenas a quanto a dicotomia é de fato falsa, o que dependo da afirmação. 


Levando em conta também as existências dos validos e tradicionais Princípio da bivalência e Lei do terceiro excluído, dos quais são verdadeiros principalmente em casos de existência factual, pois não há um meio termo entre existência e inexistência.

Reductio ad absurdum (redução ao absurdo).-  Consiste em averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar invalidar essa hipótese.
 Essa técnica é utilizada muitas vezes sem ter o caráter falacioso, inclusive para provar teorias.

Por exemplo, matemáticos gregos da Antiguidade provaram que a raiz quadrada de 2 é um número irracional, demonstrando que a hipótese contrária (a de ser um número racional, na forma p/q onde p e q são inteiros) leva a um absurdo. Só é falaciosa quando o raciocínio desenvolvido pela pessoa utiliza falsas premissas.

Exemplo:

A: Você deveria respeitar a crença de C porque todas as crenças são de igual validade e não podem ser negadas.


B: Eu recuso que todas as crenças sejam de igual validade.


B: De acordo com sua declaração, essa minha crença é válida, como todas as outras crenças.


B: Contudo, sua afirmação também contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela.

Aparentemente B mostrou que a afirmação de A é contraditória, porém A possivelmente quis dizer apenas que todas as crenças são subjetivamente válidas, ou seja, B fez uso de uma premissa falsa, uma premissa que não foi lançada por A.

Bola de neve – Também chamada de derrapagem, ou declive escorregadio. Elaborar uma sucessão de premissas e conclusões que conduzem ao absurdo.
           
Exemplo: Se legalizarmos o aborto de bebês anencéfalos, logo iremos legalizar o aborto em bebês com síndrome de Down e, no final, todo tipo de aborto será legalizado.

Pergunta complexa – Insinuação por meio de pergunta.

Exemplo: Por que você bate na sua esposa?
São duas peguntas numa só:

  • Você bate na sua esposa?
  • Por que você faz isso?
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Insinua-se que o homem bate na sua esposa.


Reductio ad Hitlerum (redução ao hitlerismo) – Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou com o nazismo.

Exemplo: Hitler acreditava em Deus, então os crentes não devem ser boas pessoas.

Argumentum ad nauseam (repetição nauseante) – É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se diz algo, mais correto isso está.

Exemplo: Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é. Espera-se convencer o oponente com a saturação da sua mente pelo argumento.

Argumentum verbosium (prova por verbosidade) – Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode acabar por ser aceito sem ser contestado. É mais uma tentativa de saturar a mente do oponente.

Meio-termo – Recorrer ao meio-termo sem razão.


Exemplo: Não temos relógio, mas alguns dizem que são dez horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são oito horas.


O meio-termo pode ou não ser falacioso, depende do contexto. Além disso, a exclusão do meio-termo pode também ser uma falácia.

Inversão do ônus da prova  – O argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento original.
O ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva.

Exemplo: Dragões existem porque ninguém conseguiu provar que eles não existem.
No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem
.
Exemplo: Extraterrestres não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem.
Ausência de prova não significa prova de ausência, não sendo necessário que alguém prove a existência de algo para demonstrar a invalidade dos argumentos que defendem a inexistência.
           
Falácia genética – Consiste em aprovar ou desaprovar algo se baseando unicamente em sua origem.

Exemplo: Você gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava.
Aponta-se a causa remota como o fator de validade.

Dicto Simpliciter (generalização inadequada) – Ocorre quando o tamanho da amostra é pequeno demais para sustentar uma generalização. Também referido como compreensão errônea da natureza da estatística, ou estatística de números pequenos.

Exemplo: Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.



Argumentum ad hominem
Ataque pessoal – Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.
Exemplo: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.

O argumento está errado porque foi dito por um “canalha”.

Apelo ao rico (ad crumenam) – Essa falácia consiste em pregar que a riqueza ou o sucesso material torna as pessoas corretas.

Exemplo: O barão é um homem bem sucedido na vida. Se ele diz que isto é bom, há de ser.

Apelo ao pobre (ad pauper) – Oposto ao ad crumenam. Essa é a falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Exemplo: Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito.

Apelo à autoridade Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Exemplo: Se Aristóteles disse que o Sol gira ao redor da Terra em uma das esferas celestes, então é certamente verdade.

É como se um especialista pudesse acertar em tudo o que diz, mesmo sendo algo fora da sua área de especialidade. Essa falácia consiste em usar as opiniões de especialistas em áreas nas quais eles são leigos, como um físico se pronunciando sobre antropologia. A opinião dele só vale dentro da física.

No caso acima, Aristóteles não tinha meios de testar essa teoria astronômica, no tempo dele não havia recursos para isso. Entretanto, as teses dele em metafísica certamente podem ser consideradas porque não dependem de instrumentos e experimentação, somente do raciocínio típico de um filósofo.

Apelo à autoridade anônima – Trata-se de fazer afirmações recorrendo a supostas autoridades, mas sem citar as fontes.

Exemplo: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela. Que peritos?

Argumentum ad lapidem – Desqualificar uma afirmação como absurda, mas sem provas.

Exemplo: João, ministro da educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: “Esta acusação é um disparate”.
Baseado em quê? Onde estão as evidências em contrário?

Estilo sem substância – Validar um argumento por sua beleza estética ou pela elegância do argumentador.

 Exemplo: Trudeu sabe dirigir as massas com muita habilidade. Ele deve ter razão.

Expulsão do grupo (falácia do escocês) – Fazer uma afirmação sobre uma característica de um grupo e, quando confrontado com um exemplo contrário, afirmar que esse exemplo não pertence realmente ao grupo.

Exemplo:



  • Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
  • Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso.
  • Ah, sim, mas nenhum escocês “de verdade” coloca.
A falácia não ocorre se há uma justificativa para o argumento.


Espantalho

Consiste em criar ideias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Exemplo:

Deveríamos abolir todas as armas do mundo porque elas causam guerras. Só assim haveria paz verdadeira.


Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é favorável ao comunismo radical e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece.

O outro é convertido num monstro, num espantalho, uma figura fácil de odiar e na qual todos querem bater visto que sua maldade foi “comprovada”. É dessa forma que se faz uma pessoa odiar alguém ou alguma coisa, basta associá-los a outra pessoa ou coisa que todos odeiam. 

Leva-se a pessoa a odiar o outro por associação. É uma demonização do oponente.


Inversão dos fatos – O argumentador rebate o ataque de seu adversário usando o mesmo argumento.

Exemplo:

 A: B é um comunista!
B: Na verdade A que é um comunista!

Egocentrismo ideológico – Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa.

Exemplo:


liberalismo é o ideal, pois Smith disse que…

marxismo é o ideal, pois Marx disse que…
A pessoa só consegue pensar de seu ponto de vista.

Bulverismo – Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.

Exemplo:

Você está dizendo que a Bíblia é correta? Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciência comprovadamente explica tudo corretamente.


Se você não acredita que a Bíblia é infalível, já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é.

É um egocentrismo ideológico, não se consegue considerar os pontos de vista do outro.

Falácia da falsa proclamação de vitória – Proclamar vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos. É uma bravata contra o oponente para intimidá-lo.

Falácia do Hater ou da inveja – Consiste em alegar que o interlocutor é um hater e desse modo busca-se invalidar seus argumentos ou lhes infligir uma conotação negativa, mesmo que tais argumentos estejam perfeitamente em ordem e devidamente evidenciados.

 O mesmo ocorre quando para invalidar um argumento adversário, ataca-lhe diretamente o seu interlocutor inferindo que este sofre de “inveja” e sendo assim, os argumentos deste devam ser considerados inconsistentes .

Falácias indutivas

Generalização precipitada – Uma pequena amostra, enumeração insuficiente ou imperfeita, conduzem a uma conclusão tendenciosa.

Amostra limitada – A amostra não representa toda a população, a parte é tomada como sendo o todo. É uma generalização precipitada.

Exemplo: Na região Sul do Niassa, faz muito frio. Logo, em todo o Niassa faz frio.

Falsa analogia – De uma semelhança parcial conclui-se uma semelhança total; em outras situações, duas coisas dissímiles ou sem relação são comparadas.

Exemplo: Marte, tal como a Terra, é um planeta; ora, esta é habitada; portanto Marte também o é. Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções.


Outras falácias

Círculo vicioso  – É a tentativa de provar uma conclusão com base em uma retroalimentação, o efeito reforçando a causa. Em outros termos, é uma dupla petição de princípio, que consiste em demonstrar, uma por outra, duas proposições que carecem igualmente de prova.

Exemplo:

A inflação diminui o poder dos salários, temos que aumentar os salários, mas, fazendo-o, teremos que aumentar os preços para pagá-los, o que aumentará a inflação.


 A polícia me passou uma multa porque não gosta de mim. E a prova de que eles não gostam de mim é terem me passado uma multa.


A ordem do universo é um efeito da sabedoria divina, e esta somente pode ser demonstrada pela ordem do universo.


Uma coisa leva à outra.

Complexo do pombo enxadrista – Proclamar vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos. É uma bravata contra o oponente para intimidá-lo. É parecida com a falsa proclamação de vitória.


Esnobismo cronológico – Ocorre quando o pensamento, a arte ou a ciência de um período histórico anterior é tido como inevitavelmente inferior, quando comparado com os equivalentes do tempo presente.


Exemplo: A é um argumento antigo, da época em que as pessoas também acreditavam em B. Se B é claramente falso, A também é falso.


É um apelo à tradição ou à antiguidade.


Evidência anedótica – Refere-se a uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio, derivado do grego anékdota, significando “coisas não publicadas”) ou de “ouvir falar”. A evidência anedótica é chamada de testemunho.


Exemplo: Há provas abundantes de que Deus existe e de que continua produzindo milagres hoje. Na semana passada, li sobre uma menina que estava morrendo de câncer. Sua família inteira foi à igreja e rezou e ela se curou. É um mero boato.


Falácia da pressuposição – Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.


Exemplo: Você já parou de bater na sua esposa?
É uma pergunta maliciosa porque se divide em duas. A primeira seria “Você bate na sua esposa?”, é isso o que se pretende dizer aos ouvintes.

É semelhante à pergunta complexa.

Falácia da probabilidade condicionada – Ocorre quando se expõem estatísticas e probabilidades sem oferecer o contexto necessário para sua interpretação, confundem-se probabilidades condicionais, invertendo-as ou tratando-as como se fossem incondicionais.

Exemplo: Os jurados foram expostos à chance de o marido vir a matar a mulher porque ele a espancava, quando o dado relevante, diante do fato consumado (a esposa já tinha sido assassinada), era “Qual a chance de a mulher ter sido morta pelo marido, dado que ele a espancava?”. 


A chance de ser morta por um marido espancador é de 1 em 1.000, de qualquer forma é muito mais alta que o risco de uma mulher ser morta por um marido que não a espanca ou por um estranho qualquer na rua, mas era a pergunta errada.


Falácia de validação pessoal (efeito Forer) – Avaliar algo ou alguém com critérios genéricos, dando a entender que essa avaliação é individual.


 Seria como avaliar alguém em função de ser comunista, como se todos os comunistas fossem iguais.


Falácia nomotética – Consiste na crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo nome, quando, na realidade, a questão permanece sem solução.


Exemplo: Renomear o criacionismo como design inteligente ou o comunismo como democracia popular.


Falácias tipo “A” baseado em “B”

(conclusão sofismática) – Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Exemplo:

1. O islamismo é baseado na .
2. O cristianismo é baseado na fé.
3. Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.

É uma falsa aplicação do princípio do silogismo. Pode-se visualizar como três conjuntos, o cristianismo e o islamismo são dois conjuntos dentro do conjunto fé, mas isso não significa que aqueles dois conjuntos são iguais, eles apenas compartilham o elemento fé.


Ignoratio elenchi (ignorância da questão, conclusão sofismática) – Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados. Tenta-se provar uma coisa diferente daquela de que se trata.


Exemplo: Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentarem boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os Estados Unidos ganharem a corrida espacial contra a União Soviética, pois o povo americano é superior ao povo russo.


O advogado tenta provar a inocência do cliente, afirmando que ele é um bom pai, um bom filho, etc. Só a conclusão é discutível, as premissas são verdadeiras.


É uma falácia de conclusão irrelevante. Esse é o modelo de falácia porque as premissas não levam à conclusão exposta.



Plurium interrogationum – Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.


Exemplo: O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?
      É um falso dilema.

Red herring (arenque vermelho) – Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido, para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.


Exemplo: Será que o palhaço é o assassino? No ano passado, um palhaço matou uma criança.


O fato de um palhaço ter matado uma criança não significa nada, não interfere no caso em questão.


As premissas usadas devem ser relevantes para a conclusão.
(O termo “arenque vermelho” faz referência a um peixe que pode ser atravessado no caminho de um cão farejador, fazendo com que ele perca a sua pista.)

Apelo ao lucro considerar uma conclusão verdadeira ou falsa conforme suas premissas financeiras.


Exemplo:


Se o aquecimento global for verdade, então muitos cientistas vão ganhar dinheiro para pesquisas e muitas empresas vão lucrar milhões para produzirem energia de fontes que não emitem dióxido de carbono. Portanto, o aquecimento global não é verdade.


Se o aquecimento global for verdade, então países pobres ou em desenvolvimento vão ter prejuízo por não explorarem suas jazidas de petróleo e carvão. Portanto, o aquecimento global não é verdade.


A conclusão é válida ou inválida porque vai haver lucro ou prejuízo financeiro. É uma insinuação maliciosa de que as teorias são feitas para causar lucros ou prejuízos às pessoas.
É uma forma de ataque pessoal porque insinua que o oponente tem algo a ganhar com seu argumento.

 Esse ganho pessoal pode não ser financeiro, é comum insinuar que o oponente tem motivos pessoais para defender um argumento, mas todo argumento deve ser analisado conforme a adequação da conclusão às premissas.

Falso axioma – Consiste em fazer uma afirmação duvidosa parecer uma verdade incontestável.


Exemplo: Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.


Exigência de perfeição – Pede-se mais do que o necessário para resolver um problema.


Exemplo: A egiptóloga Fulana de Tal é uma principiante, obteve o doutorado há pouco tempo, tem limitada experiência: não pode julgar um descobrimento tão importante.


É um ataque pessoal.


Tu quoque (tu também) – Consiste em admitir um erro que os outros também cometem, como se fosse uma desculpa.


Exemplo: Você também foi acusado de crime de corrupção.


Falácia da conversão


Exemplo:
1. O mendigo pede.
2. Logo, quem pede é mendigo.

Não respeita as leis da oposição. Pode-se imaginar o conjunto mendigos dentro do conjunto pedintes, mas pode haver pessoas dentro do conjunto pedintes que não fazem parte do conjunto mendigos. Além disso, a negação de que todo mendigo pede é que algum mendigo não pede.

Falácia da oposição


1. É falso que todo homem é sábio.
2. Nenhum homem é sábio.

Não respeita as leis da oposição. A conclusão pretende ser a negação da premissa, portanto a sentença certa é “Algum homem não é sábio”
OBS: Algum é a negação (oposição, contrário) tanto de todo como de nenhum.

BAIXE TAMBEM:  Trabalho: Design e Comunicação Visual


Teoria da Conspiração 

Exemplo:

1. Um grupo antigo e secreto controla todos os aspectos da vida na Terra.
2. Não há nenhuma prova da existência deste grupo.
3. Isso acontece porque um grupo antigo e secreto controla todos os aspectos da vida na Terra.

Consiste em atribuir verdade aos fatos, exclusiva ou principalmente por conta de seu caráter supostamente secreto ou sigiloso. A impossibilidade de verificar os fatos torna a falácia mais persuasiva, convencendo o interlocutor da capacidade dos conspiradores de esconder a própria existência.

Falácia do holofote – Presume que o aumento da atenção da mídia ou da imprensa sobre determinado assunto signifique um aumento da ocorrência ou frequência de ocorrência do evento tratado. 


O raciocínio é falho, pois a atenção da mídia pode ser direcionada por diversos outros motivos, além da frequência de ocorrências do evento tratado.


Exemplo:

O caso de pedofilia vem aumentando, a mídia vem reportando muito mais casos ultimamente.

Falácia do apostador  Consiste em acreditar que se, durante um sorteio aleatório, um resultado pouco provável é obtido muitas vezes, os sorteios seguintes irão talvez compensar este desvio e dar várias vezes o resultado oposto. Por exemplo, se ao fazer “cara ou coroa” um jogador obtiver um grande número de “caras”, acreditará ter mais probabilidades de obter “coroas” nos sorteios seguintes.


Argumentum ad contradictorium – Você sugere ao seu oponente a beber de outras fontes.


Exemplo:


  • Pessoa 1: O salário do Juiz vale mais que todos do presidente.
  • Pessoa 2: O tal jornal diz que isso não é verídico.
  • Pessoa 1: Sugiro que verifique em outras fontes “não manipuladoras”



Paradoxo


Um Paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é “o oposto do que alguém pensa ser a verdade”. 

A identificação de um paradoxo baseado em conceitos aparentemente simples e racionais tem, por vezes, auxiliado significativamente o progresso da ciência, filosofia e matemática.

Conforme o dicionário Aurélio e tantos outros determinam um paradoxo, este se deve como uma armação verdadeira que leva a uma contradição lógica, assim normalmente colocada como sinônimo de contradição, ou uma situação que contradiz a intuição comum.

Esta última concepção é o ponto de partida inicial para um estudo mais aprofundado, mesmo que inicialmente losóco, dos paradoxos, no que resulta na Paradoxologia. Estes paradoxos ao longo dos tempos acabaram sempre vistos como um propulsor comum não somente a filosofia, mas a ciência e matemática.

Porém, o termo Paradoxologia se refere não aos paradoxos no sentido do termo etimológico, mas o resgatando da contra-lógia ao status de fenomenologia, por isso podendo-se também se chamar Pará lógica, por lidar com conceitos da lógica, ilógica e a chamada sobre lógica por se demonstrar acima da lógica comum, não contraria a esta. 

Assim a Paradoxologia não se trata da busca dialética por verdades contraditórias, ou oposicionismos ideológicos, mas de que aparente opostos podem se conter num paradoxo, não significando, porém, que são confrontivos anulativos ou contrários em armação como a contradição.

A etimologia da palavra paradoxo pode ser traçada a textos que remontam à aurora da Renascença, um período de acelerado pensamento científico na Europa e Ásia que começou por volta do ano de 1500.

As primeiras formas da palavra tiveram por base a palavra latina paradoxum, mas também são encontradas em textos em grego como paradoxon (entretanto, o latim é fortemente derivado do alfabeto grego e, além do mais, o português é também derivado do latim romano, com a adição das letras “J” e “U”). A palavra é composta do prefixo para-, que quer dizer “contrário a”, “alterado” ou “oposto de”, conjugada com o sufixo nominal doxo, que quer dizer opinião. Compare com ortodoxia e heterodoxo.

Na filosofia moral, o paradoxo tem um papel central nos debates sobre ética. Por exemplo, a admoestação ética para “amar o seu próximo” não apenas contrasta, mas está em contradição com um “próximo” armado tentando ativamente matar você: se ele é bem-sucedido, você não será capaz de amá-lo. 

Mas atacá-lo preceptivamente ou restringi-lo não é usualmente entendido como algo amoroso. Isso pode ser considerado um dilema ético. Outro exemplo é o conflito entre a injunção contra roubar e o cuidado para com a família que depende do roubo para sobreviver.

Muitos paradoxos dependem de uma suposição essencial: que é a linguagem (falada, visual ou matemática) modela de forma acurada a realidade que descreve. 

Na mecânica quântica, muitos comportamentos paradoxais podem ser observados (o princípio da incerteza de Heisenberg, por exemplo) e alguns já foram atribuídos ocasionalmente às limitações inerentes da linguagem e dos modelos científicos.

Alfred Korzybski, que fundou o estudo da Semântica Geral, resume o conceito simplesmente declarando que, “O mapa não é o território”. Um exemplo comum das limitações da linguagem são algumas formas do verbo “ser”.

 “Ser” não é definido claramente (a área de estudos filosóficos chamada ontologia ainda não produziu um significado concreto) e assim se uma declaração incluir “ser” com um elemento essencial, ela pode estar sujeita a paradoxos. 

Não se trata de paradigmas. O paradigma no meio científico explica uma parte não se explicando o todo, representa apenas a funcionalidade especial perdendo função parcial ou totalmente diante do funcionamento geral do universo, mas os paradoxos podem bem faze-lo. 

Para isso, no entanto, é necessário separar ambos distinguindo as palavras “contradição” e “paradoxo”, assim como Innito versus eterno, como sendo expressões que apesar de compartilharem semelhanças e traços incomum são irremediavelmente distintas em propósito e significado.

A contradição tem correlação direta com a articialidade e autonegação ao passo que o paradoxo se refere a harmônica não de autonegação anulativa por conceitos e armações que se confrontam diretamente, mas existente por si só, não é confrontativo.

 Um Paradoxo não tem origem, mas sim começo: Não existem coisas infinitas, mas sim infinitas formas de coisas. De acordo com o quadro definido por W. V. Quine em 1962, dividia-se os paradoxos em duas classes:

Os verídicos que por mais absurdo que fossem os resultados são verdadeiros (exemplo: paradoxo do aniversário de Frederic na opereta The Pirates of Penzance) e os paradoxos falsídicos que são falaciosos ou contradições comprovadas. Poder-se-ia ainda se clássificar nisso as chamadas antinomias, bastante similar aos paradoxos falsídicos.

Paradoxos irracionais consideram-se os três primeiros, são contradições ou como se pode determinar aberrações, começando pelo Paradoxon Anomia que nem consegue se encontrar no quadro dos seis Paradoxos, por se considerar um excedente, mesmo que apenas os dois primeiros (anomia e acus) sejam negativos e reais positivos, onde o moralis pende mediante sua resolução. 

Substitui-se a contradição antiga pela tradição com e dos paradoxos. 
Assim abaixo faço uma divisão em nível crescente dos paradoxos de acordo com a veracidade e grandeza, do qual nega-se parcialmente o esquema definido por W. V. Quine:


a)       – Parodoxon Flacus

Este é um paradoxo da estupidez, paseudo-paradoxo ou paradoxo do mal: 

Contradição auto-anulativa, pode se dar, por exemplo, a armações que se contradizem ou conceitos contrários em anulação mutua, não presentes na
natureza, mas inerente ao homem.

b)       – Paradoxon Moralis

Dilemas, paradoxos morais, muitas vezes resultantes da perceptividade da realidade (verda ambiguia ou parcial) que podem levar ao Paradoxon Flacus, demonstrando-se por duas armativas contrarias não contratitórias. 


Este é outro paradoxo antropológico (exclusivamente neste caso), mesmo que o paradoxon anomia pareça um dilema para a ciência, de modo que os dilemas cientícos sobre a atuação do homem em determinados casos são paradoxon moralis.


c)       – Paradoxon Absolutus:

 É um Paradoxo real conhecido por ser cíclico, existente por si só, mas apenas em seus elementos sendo dependente de outros. Considera-se Semi – eterno: temporal.

 Os paradoxos absolutos se demonstram na natureza e os ciclos naturais, por exemplo, e tem correlação com o innito, não necessariamente eterno, por sempre se suceder e não sendo imutável, mas absoluto no modo de atuação por suas leis naturais, por exemplo: 


As águas evaporam, formam nuvens que se precisam como chuva que congelam que ao derreterem e evaporarem formam novas nuvens que as levam cair novamente como chuva assim sucessivamente.


d) Paradoxon Aeternus: Este Paradoxo real é não cíclico, sendo existente por si só, eterno, na concepção por exceder a noção de espaço-tempo comum, logo não sendo passível de aplicações como a da relatividade de Einstein. 


Estes paradoxos estão diretamente ligados ao paradoxon-mor ou servem como claros indícios, podendo assim ser parte deste.


e)  Paradoxon-mor

Paradoxon-mor é um Paradoxo Real de primeira grandeza, definição de Deus ou de potências ‘oni’, por meio de eventos, elementos e fatos pode-se   levar a contemplação-esboço do que se considera Deus, ou sua potência.

Pode  se enquadrar neste quesito elementos não passíveis de explicação pela ciência mesmo que jamais contraria a ela, a exemplo dos elementos inexplicáveis na teoria da evolução, como o Olho de Darwin, por exemplo, não é algo ilógico, mas alógico.

           

O Porque dos Paradoxos?

Primeiramente posso te fazer uma pergunta? Bem, acabei de fazer uma, ou seja, pedir para fazer uma pergunta é ilógico porque já é uma! Isso implica no fato de estar seguindo uma regra (de ser educado e perguntar antes) e quebrá-la ao mesmo tempo. 

Em resumo um semiparadoxo que dará volta em torno de si mesmo innitamente, está mais para um paradoxon moralis.


Ora, o mundo, o universo, é feito de paradoxos, há dezena deles em diversos tamanho-grau-grandeza e acredito que possa haver um modo de medilos de acordo com sua magnitude, conforme descrita anteriormente. Inclusive Deus acredito que possa ser medido como o maior dos paradoxos devido sua complexidade e grandeza auto-abrangente.


 O mero fato de comprovar os paradoxos como existentes explica que nem tudo é explicável, logo devemos nos preparar para o inexplicável cuja resposta são em parte os paradoxos. Mas isso é outro paradoxo?


Isso porque o universo material é uma grande equação em busca de equilíbrio constante. E o que aconteceria quando se este encontrar sua forma nal? Essa é a certamente a maior e mais relevante das perguntas…



Tipos de paradoxos

Temas comuns em paradoxos incluem autoras referências diretas e indiretas, definições circulares e confusão nos níveis de raciocínio. W. V. Quine (1962) distingue três classes de paradoxos:

  • Os Paradoxos Verídicos – produzem um resultado que parece absurdo embora seja demonstravelmente verdadeiro. Assim, o paradoxo do aniversário de Frederic na opereta ThePirates of Penzance estabelece o fato surpreendente de que uma pessoa pode ter mais do que N anos em seu N-ésimo aniversário. 

Da mesma forma, o teorema daimpossibilidade de Arrow envolve o comportamento de sistemas de votação que é surpreendente, mas, ainda assim, verdadeiro.

  • Os Paradoxos Falsídicos- estabelecem um resultado que não somente parece falso como também o é demonstravelmente – há uma falácia da demonstração pretendida.

 Asvárias provas inválidas (e.g., que 1 = 2) são exemplos clássicos, geralmente dependendo de uma divisão por zero despercebida.

  • Outro exemplo é o Paradoxo do Cavalo.Um paradoxo que não pertence a nenhuma das classes acima pode ser uma antinomia, uma declaração que chega a um resultado autocontraditório aplicando apropriadamentemeios aceitáveis de raciocínio. 

Por exemplo, o paradoxo de Grelling-Nelson aponta problemas genuínos na nossa compreensão das ideias de verdade e descrição.




Bibliografia

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes: São Paulo, 2000.
SIMON, Blackburn. Dicionários Oxfort de Filosofia. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 1997.
«Falácias e Paradoxos», A Filosofia, PT: Sapo.

CHAMBISSE, Ernesto e outros. Emergência do Filosofar. 1ª Edição, Moçambique Editora, Maputo. 2004.

Chambisse, Ernesto Daniel & Cossa, José Francisco. Filosofia 11. 2ª Edição, Texto Editores, Maputo, 2013.
GEQUE, Ed. & BIRIATE, Manuel. Filosofia 11. Pré-Universitário, 1ª Ed., Ed. Longmam, Maputo, 2010.            
                                                                           

Conclusão

Chegado ao fim desta pesquisa bibliográfica a cerca da Falácia e do paradoxo. É de salientar que na lógica e na retórica, uma Falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. 


muitos paradoxos dependem de uma suposição essencial: que é a linguagem (falada, visual ou matemática) modela de forma acurada a realidade que descreve. 


Na mecânica quântica, muitos comportamentos paradoxais podem ser observados (o princípio da incerteza de Heisenberg, por exemplo) e alguns já foram atribuídos ocasionalmente às limitações inerentes da linguagem e dos modelos científicos.




Outros conhecimentos dizem que atualmente, falácia é entendida como qualquer erro de raciocínio, seguido de uma argumentação inconsistente. Considerando que um raciocínio pode falhar de inúmeras maneiras, as falácias foram classificadas em formais (tentativa de um raciocínio dedutivo válido, sem o ser) e informais (outro erro qualquer). 


Assim a Paradoxologia não se trata da busca dialética por verdades contraditórias, ou oposicionismos ideológicos, mas de que aparente opostos podem se conter num paradoxo, não significando, porém, que são confrontivos anulativos ou contrários em armação como a contradição.

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