O uso do método expositivo na disciplina de História, caso da Escola Secundária de Nampaco



CAPITULO I: INTRODUÇÃO

POR DR. ANGELA DE FATIMA ALVES

O presente trabalho com o tema uso de método expositivo no ensino da disciplina de História 8ª Classe, caso da Escola Secundária de Nampaco, é de extrema importância no processo de ensino e aprendizagem, visto que prepara de uma forma gradual o estudante praticante para à vida profissional. 



Falar do método expositivo, não é uma novidade porque muitos autores abordam deste, apesar de cada um ter a sua abordagem em relação ao outro. 

No processo de ensino e aprendizagem, carece uma visão ampla sobre o processo de transmissão de conhecimentos para os alunos. Fase a este trabalho de monografia coloca-se uma questão: 

Porque razão do constante uso do método expositivo na disciplina de História 8ª Classe, na escola secundária de Nampaco?



Com a questão colocada, este trabalho visa, de forma geral, analisar o uso incorrecto do método expositivo durante a leccionação e sobretudo propor medidas para ultrapassar esta prática constatada neste estabelecimento de ensino.

Especificamente, o trabalho tem como objectivos:
  • Identificar as causas do uso excessivo do método expositivo no processo de ensino e aprendizagem;
  • Enumerar os efeitos do uso excessivo do método expositivo no processo de ensino e aprendizagem e;
  • Finalmente propor medidas visando reduzir o uso excessivo do método expositivo.


O interesse pelo estudo deste tema que vai-se desenvolver ao longo deste trabalho partiu da constatação que existiu na observação de aulas de alguns professores que leccionam nesse estabelecimento de ensino e curiosamente como forma de ajudar a estes a ultrapassar o constante uso deste método.

Tendo em consideração que a referência teórica é uma linha filosófica, um princípio ou ideia de um autor, pesquisador e ou estudante, foi tão importante para a citação.

Ao longo do trabalho, privilegiou-se as pesquisas bibliográficas e exploratórias. O uso da técnica de observação as aulas e o questionário, são um dos suportes na elaboração deste.

Por isso, dentro deste trabalho, esperamos fazer inquérito mais dos professores de história de quase todos os subníveis de ensino sobretudo, os em exercício na 8ª classe do ensino secundário geral. 

Irá, de igual modo, para 45 alunos e um outro ponto de vista do membro de direcção da escola que é o director adjunto pedagógico do curso diurno.

O trabalho está estruturado da seguinte maneira: capitulo I que é introdução, capitulo II Fundamentação teórica, capitulo III análise e interpretação de dados, capitulo IV conclusão e finalmente, vai-se apresentar as referências bibliográficas consultadas. 



 1.1. O uso de método expositivo no ensino da disciplina de História, caso da Escola Secundária de Nampaco (2010- 2011)


O método expositivo tem constituído muitas vezes a base de transmissão de conhecimento por parte de muitos professores, embora o excessivo uso deste e de outros métodos achados importantes, podem trazer consigo algumas implicações.

1.2. Objectivo Geral


  • Conhecer o impacto do uso excessivo do método expositivo no processo de ensino e aprendizagem nas aulas de História.   



1.3. Objectivos específicos

  • Identificar as causas do uso excessivo do método expositivo no processo de ensino e aprendizagem;
  • Enumerar os efeitos do uso excessivo do método expositivo do processo de ensino e aprendizagem;
  • Propôr medidas visando a reduzir o uso excessivo do método expositivo.



1.4. Justificativa

Foi durante as praticas pedagógicas que tinham o objectivo de desenvolver competências, capacidades, habilidades e atitudes no estudante, futura professora, no que concerne ao domínio das actividades do processo de ensino e aprendizagem, onde notabilizou-se que o uso do método expositivo, seria um dos dados muito importantes na efectivação deste trabalho.

Esta fase, constituiu um período muito delicado sob ponto de vista psicopedagógico, por se tratar de uma tarefa que merece um máximo cuidado técnico pedagógico por não ser apenas como “instinto” de alcançar habilidades de ensinar mas também o receio de perturbar o estudante naquele espaço de tempo.”

Com esse receio desenvolveu-se um espírito e uma intenção de sempre procurar e criar um ambiente de relacionamento favorável dentro da sala de aula sob a responsabilidade da autora, com propósito de colocar o aluno como o principal actor da aprendizagem, isto é, oferecer maior oportunidade para que o aluno aprenda por si mesmo.

Ao se basear no método expositivo, muitas vezes o centro de ensino e aprendizagem, desloca-se do aluno para o professor onde este último torna-se ao mesmo tempo activo e orador principal dificultando assim aquilo que se queria considerar de avaliação formativa uma vez que este método oferece pouco espaço ao aluno mostrar até que ponto está assimilando a matéria em leccionação.

O método expositivo muitas vezes consolida a passividade do aluno porque neste método, o professor não recebe, mais sim oferece.

Portanto é na passividade do aluno e a sua redução na condição de simples receptor no processo em que deveria ser activo e sobre ele centralizado que surge inquietação do autor, sendo assim a razão principal que cria a necessidade de propor uma abordagem sobre o tema.


1.5. A Relevância do Tema


Com o estudo feito na Escola Secundária de Nampaco, arredores da cidade de Nampula, vai ajudar aos professores desta e outras escolas, para além de académicos que terão oportunidade de ler este trabalho a descobrir que o uso do método expositivo, é um problema que deve ser encarado de forma cautelosa, uma vez que se for usado incorrectamente, cria-se situações de fraca qualidade de ensino aos alunos inibidos durante as aulas e consequentemente estes, socialmente são encarados como incapazes de assumir certas responsabilidades.


1.6. A Problematização


Para o GALISSON (1994:20), “ O problema é o que o autor reflecte e pretende resolver na sua pesquisa e se realmente é uma preocupação que vale apenas tentar encontrar uma solução para ele”. Para o tema em estudo, terá como visão:

  • Uma das vantagens a ter em conta com este método é quando colocado na posição de diálogo;
  • A mensagem apresentada é simples pretexto para desencadear a participação dos alunos, podendo haver contestação, pesquisa e discussão, sempre que oportuno e necessário.
  • Tudo para uma eficiente gestão do tempo, aqui há que referenciar o método expositivo. Pelas experiencias vividas no terreno, verificou-se que o método expositivo apresenta algumas vantagens de uso;


“Quais as implicações do constante uso de método expositivo no ensino de Historia?”
O constante uso do método expositivo na disciplina de história, pode criar impactos positivos e negativos. Negativo porque tudo usado de forma excessiva faz mal. Facilita a transmissão lógica e sequencial dos conteúdos e a respectiva gestão do tempo. 

No entender dos professores, o uso de outros métodos requer um equipamento didáctico tão sofisticado e que até agora o centro em particular e, em geral os pais ainda não conseguiram atingir o tal nível. São métodos que roubam tempo e exigem fortes pressupostos.

O negativo do uso excessivo do método expositivo também focalizaria no seguinte:
Este método acima citado constitui desvantagem quando é colocada na posição dogmática,

  • É uma posição em que a mensagem transmitida não pode ser contestada, devendo ser aceite sem discussão e com obrigação de repeti-la;
  • Este método é visto por alguns autores como método que possui motivação negativa por ser tradicional e verbalista que não apresenta mecanismo de evolução e desenvolvimento do educando;
  • Não põe em conta os princípios da actividade do aluno, sendo que no dilema actual ou contemporâneo da educação é de debater que os métodos adoptem regras para garantir uma aprendizagem activa dos alunos.


As medidas para colmatar a situação no programa de ensino e aprendizagem são:Para PILETTI (2006:106) a técnica expositiva só é viável quando o professor assume a segunda posição de “Dialogo” além disso, ao utiliza-la, o professor deve observar os seguintes procedimentos”.
  • Estabelecer com clareza, os objectivos da exposição;
  • Planificar a sequência dos tópicos que construirão a exposição;
  • Procurar manter os alunos em atitude reflexiva, propondo de tempo em tempo, questões que exijam raciocínio, com apresentação de situação problemática, relacionadas com o tema;
  • Explorar a vivências dos alunos para enriquecer ou comprovar a exposição;
  • Promover exercícios rápidos e objectivos,
  • Efectuar recapitulações das noções apresentadas para facilitar compreensão de outras que virão a seguir;
  • Observar durante o desenvolvimento da aula, os sinais de aborrecimento e de cansaço que denunciam problemas na comunicação durante a aula expositiva, tais como a forma dos alunos se sentarem, sua sonolência na sala de sala. 


De entre estes dois autores, leva a percepção de que com a intenção de resolver o problema, o professor deve ser competente e cauteloso na elaboração do plano diário das aulas, uma vez que sem esta observância, não será capaz de dar uma aula que não seja expositiva.


1.6. Hipóteses


Segundo o SILVA e MINEZES apud GIL (1994:81), Hipóteses são “ soluções provisórias que poderão ser refutadas ou confirmadas com o desenvolvimento da pesquisa”. Para a solução deste problema, o autor deste trabalho propõe as seguintes hipóteses:

  • A limitação dos alunos faz com que de certa forma estes não participem activamente na aula obrigando desta forma o professor recorrer o método expositivo uma solução para dar as suas aulas;
  • Falta de formação psico-pedagógica por parte de alguns professores faz com que estes fiquem presos a este método porque não conhecem outros;
  • Ausência de espaço de tempo na sala de aulas para o professor fazer o acompanhamento das actividades.



1.7. Tipo de pesquisa


Quanto a forma de abordagem, a pesquisa é qualitativa porque, SILVA e MENDES (2001:20), consideram que a pesquisa qualitativa permite estabelecer uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a subjectividade do sujeito, e que não pode ser reduzido em número.

Também será usada a pesquisa exploratória, onde se envolve o levantamento bibliográfico, o questionário e a entrevista a professores experientes na matéria.

1.8. Metodologias


1.8.1. Metodologias de abordagem

Na óptica de BARETO e HONORATO apud IVALA at all (2007:26),
A metodologia é um conjunto detalhado e sequenciado de métodos e técnicas cientificas a serem executadas ao longo da pesquisa de tal modo que se consiga atingir os objectivos inicialmente propostos e, ao mesmo tempo atender os critérios de menor custo, maior rapidez maior eficácia e mais contabilidade da informação 
LAKATO e MARCONI apud RICHARDSON (1999:21) “método é o caminho pelo qual se chega a um determinado resultado”.

Tendo estas duas definições, percebe-se que método é um procedimento e regras usadas para atingir um certo fim. 

Deste modo, o presente trabalho usará como métodos o indutivo porque a partir do problema detectado no local sendo particular irá abordar de uma maneira que servira como exemplo, não só para a escola em causa como também para outras escolas que se notabiliza o mesmo; estatístico, dado a medida em que o trabalho envolve números usados para comparar a diferença e a semelhança e histórico que consiste em obter informações das instituições em causa dos anos que lá se foram para verificar a sua influência no presente momento em que vivemos.

Para além dos métodos aqui apontados contará com as seguintes técnicas; a observação, a entrevista e o inquérito.

Porque na observação, o pesquisador desloca-se ao local e entra em contacto com a realidade concreta, na entrevista cria-se uma interactividade entre o entrevistador e o entrevistado através do diálogo onde posteriormente poderá enriquecer o seu trabalho.

O inquérito ajuda o pesquisador na medida em que cada um dos inqueridos terá tempo suficiente em responder, construir e por fim analisar as suas ideias.


1.9. 1. Universo/População Alvo


RICHARDSN (1999:157) referindo a questão do universo, “é um conjunto de elementos que possuem determinadas características”. 

Usualmente fala de população ao se referir a todos os habitantes de determinado lugar ou conjunto de indivíduo que trabalham no mesmo lugar.

A pesquisa vai decorrer na escola Secundaria de Nampaco, e tem como universo: alunos, professores e a direcção da escola.


1.9.2. Amostra 


Considera-se amostra como sendo “qualquer subconjunto do conjunto do universo ou da população em estudo ibidem” (1999:158). 

Sendo assim, para garantir representatividade do universo para a realização deste estudo grupo alvo da amostra serão 45 alunos e 6 professores, de diferentes disciplinas, mas com maior enfoque os de história, e finalmente o director Adjunto pedagógico do primeiro ciclo do curso diurno os quais serão inquéritos e entrevistados sobre o nível de conhecimento do tema. 


CAPITULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA



2.1. As diferentes interpretações do Método Expositivo


Este método, também designado por dedutivo, “é o método segundo o qual, o professor apresenta conceitos, princípios, deduções ou afirmações a partir dos quais se tiram conclusões ou consequências.

A centralidade do ensino está no professor e, as aulas seguem uma estrutura de degraus, em que cada degrau é iniciado pelo professor que disponibiliza informações e coloca questões. 

O aluno responde e o professor dá o feedback

O professor controla o desenvolvimento da aprendizagem por ciclos de iniciação – resposta e avaliação.

Fazendo parte dos métodos tradicionais, foi durante muito tempo, e continua a ser um dos mais usados no processo de ensino. Mas com o desenvolvimento da ciência e da sociedade, este passou a não corresponder cabalmente com as novas exigências de ensino e aliado ao tipo de sociedade que pretende formar.

Para PILETTI (2006:37) “Método Expositivo é a técnica tradicional de ensino, que consiste na apresentação de um tema logicamente estruturado composta por cópias ditados e leitura”.

Para LIBÂNIO (1994:158), refere que

Autonomia e actividade dos alunos se manifesta quando cooperam e activam conscientemente no processo de ensino mesmo quando se trata por exemplo da exposição do professor, a actividade não quer dizer manter os alunos ocupados, criar situações que activem as potencialidades cognoscitivas dos alunos.

Por tanto os professores da Escola Secundaria de Nampaco, planificam e aplicam com frequência o método expositivo sem no entanto observar alguns princípios da sua aplicação, fazendo com que o aluno seja um verdadeiro receptor passivo e o professor assumindo o lugar de transmissor directo a tornar-se ele mesmo o centro de aprendizagem.

Segundo NERICI (1991:273), “método de ensino é um conjunto de procedimentos lógicos e psicologicamente de que vale o professor para levar o educando a elaborar conhecimentos, adquirir técnicas ou habilidades e a incorporação de atitudes ou ideias”.

Este método para que produza efeitos positivos no processo de ensino e aprendizagem, DIAS (2008:91), defende que:

Requerem-se que o professor o intermite com procedimentos como trabalho independente, conservação e trabalho em grupo. A apresentação lógica dos itens de estudo, as implicações e ilustrações são procedimentos que apoiam este método e tornam o ensino mais interactivo e dai menos enfadonho.
Com as palavras acima citadas e tendo em conta a realidade no terreno durante a leccionação de aulas, há uma grande contrariedade. 

Os professores de história na escola secundária de Nampaco, espelham-se no comodismo. Cingem-se no único método sem reparar o princípio de trabalho independente e trabalho em grupo. 

Todavia, as práticas dos professores retrocedem de certa maneira as tendências educacionais dos últimos anos no nosso País, uma vez que a nossa educação inspira-se nos modelos ocidentais. 

É neste modelo que os autores como BERTTRAND (2001:41), considera que a educação contemporânea “é caracterizada por uma posição total dos métodos de motivação negativa por serem tradicionais e verbalista que não representam mecanismos evolutivos e de desenvolvimento de estudos ”.


2.2.Origem do Método expositivo


Este método de ensino assenta na teoria de Ausebel.

Para o Ausebel (1996:26), “o método expositivo não significa necessariamente aprendizagem passiva pois, durante a aula tipicamente expositiva, a mente do aprendente pode estar bastante activa a interpretar as mensagens ouvidas”.

Na fase expositiva os alunos, à medida que ouvem, vão criando significados relacionando o que ouvem e vem com as suas estruturas cognitivas, tentando sempre organizar a informação recebida em algo com significado.

A estrutura de apresentação pelo professor, segundo Ausebel (1960:26), é muito importante para o sucesso para este tipo de ensino, pois numa aula bem estruturada pode dar-se informação de modo que os alunos possam ver o desenvolvimento de uma ideia”.

Com o princípio deste autor, conclui-se que no sentido de facilitar a aquisição de novas aprendizagens o professor deverá usar materiais introdutórios apresentados antes dos conteúdos a serem apreendidos. 

Com uso dos materiais, tem como função principal servir de ponte entre os conhecimentos que o aluno possui e os que irá adquirir.


2.3. O método expositivo e a posição do professor


2.3.1. Posição dogmática


É uma posição em que a mensagem transmitida não pode ser encontrada, devendo ser aceite em discussões com obrigação de repeti-la. E esta posição que se encontra desenquadrada com os novos conceitos de ensino, pois ela não valoriza a posição de aluno tratando-o como incapaz de por si só chegar a conclusões validas e produzir conhecimentos.

PILETTI (2006:104), sustenta que:
 Aquilo que o professor transmite é mais importante e não aquilo que o aluno descobre. Aos alunos somente é permitido ouvir, memorizar e repetir.

2.3.2. Posição de diálogo


A mensagem apresentada é simples pretexto para desencadear a participação dos alunos, podendo haver contestação, pesquisa e discussão, sempre que oportuno for necessário.

Segundo os novos procedimentos de ensino, a exposição hoje é viável e se enquadra.

 Com os novos domínios do ensino quando o professor assume dialogo ao utiliza-la, deve observar as seguintes regras:

  • Estabelecer com clareza os objectivos da exposição;
  • Procurar manter os alunos em atitude reflexiva, propondo de tempo em tempo, questões que exigem raciocínio, com apresentação de situações problemáticas, relacionadas com o tema;
  • Propor exercícios rápidos e objectivos;
  • Explorar as vivências dos alunos para enriquecer ou comprovar a exposição;
  • Observar durante o desenvolvimento da aula, os sinais de aborrecimento e de cansaço que denuncia problemas na comunicação durante a aula expositiva;
  • Fazer com que o aluno estude por conta própria a fim de ganhar confiança na sua capacidade de interpretar fontes de informação, sem assistência de professores.



 Segundo LIBANEO (1994:161),

“O método expositivo é bastante usado em nossas escolas, apesar das críticas que lhe são feitas, principalmente por não levar em conta o princípio de actividade do aluno”. Entretanto se for superado esta limitação é um importante meio de obter conhecimento.

Durante a assistência as aulas, foi possível notar que nos planos de aulas dos professores constam para alem de exposição outras formas metodológicas, 

Mas durante a aula o professor muitas vezes ignora na totalidade, recorrendo a monopolização da aula pela exposição como metodologia dominante por vezes devido a superlotação das turmas que dificultam o acompanhamento, a falta de motivação constante por parte do professor, a falta de material didáctico para com os alunos que permitem acompanhamento e contribuírem sobre o tema da aula, dificuldades de síntese e falta de gestão de tempo.


Considerado métodos técnicos tradicionais a aula expositiva, exige um comportamento passivo do aluno nela, cabe o professor transmitir os conhecimentos e, aos alunos apenas receber.


2.4. O método expositivo e o novo conceito de ensino e aprendizagem


Como qualquer processo, o ensino também sofreu evolução ao longo dos tempos.

Etimologicamente do latim, ensinar (signar), é colocar dentro, gravar no espírito. É desse pressuposto que sempre o ensinar significou colocar ideias na cabeça do aluno, e o método para isso consistia marcar e tomar lição. 

Com o passar do tempo o conceito ensinar chegou na fase tradicional que significou transmitir conhecimentos, e o método para o tal consistia em aulas expositivas e explicativas onde o professor cabia a tarefa de transmitir aquilo que sabe sobre determinado assunto, e os alunos deviam reproduzir o conhecimento transmitido pelo professor.

De acordo com PILETTI (2006:28),

Com as mudanças conjunturais, esse tipo de ensino mostrou ineficácia e passou a receber uma serie de críticas. 

Com elas surge uma nova teoria de educação, surge assim, um novo conceito de ensino.

Não são poucos estudos feitos sobre o uso do método expositivo, mas todos convergem na importância deste no processo de ensino e aprendizagem, no entanto reconhece-se que o uso incorrecto deste, pode alterar o papel do aluno dentro da sala de aulas ao colocar na posição passiva, e ao mesmo tempo que altera o papel do professor ao retirar o seu papel de facilitador de aprendizagem tornando o monopolizador da aula.

O aluno não se pode limitar em ser simples consumidor passivo da informação, mas é instigado a descobrir por si própria essa informação, mas do que transmitir informação o professor deve facultar os meios e materiais para os alunos encontrarem e seleccionarem as informações.

MARTINS apud PROENÇA s/d: 48 afirma que,
As novas técnicas de ensino, em que o aluno é posto em contacto com os meios e materiais onde ele possa encontrar e seleccionar conhecimento, retiram ao professor o papel de monopolizador diversificando esta função, mas não anulam a necessidade a actuação específica do professor nesta matéria.

Os métodos de ensino definem de certa forma o papel de cada interveniente no ensino e aprendizagem, e por essa razão os métodos tradicionais anulam a intervenção do aluno neste processo, colocando no centro o professor. 

Ao longo do tempo e com a evolução da ciência e da sociedade e consequentemente do próprio ensino, o método expositivo revelou-se ineficaz.
Portanto os novos métodos de ensino o centro do programa de ensino e aprendizagem transferiu-se do professor para o aluno.

Durante a assistência no ensino secundário geral, notou-se a frequência no uso do método expositivo em que a maior parte do tempo da aula era levado para a explanação de professor e a resolução de exercícios indicados por este. Por esta via, a relação aluno-aluno, e o aluno professor era limitada.

Para PILETTI (2006:104),

Os novos métodos dão grande destaque a vida social do aluno como factor impulsionador e fundamentar para o seu desenvolvimento psico-motor, intelectual e moral. 

Neste sentido, adquire grande importância no relacionamento dos alunos entre si e dos alunos com o professor. A disciplina não se fundamenta mas na autoridade e responsabilidade.

Por se usar o método expositivo, o professor pouco explorava a capacidade e a criatividade do aluno por considera-lo incapaz sem testar e por esta razão este achava-se na obrigação de ser o único transmissor de conhecimentos. Consequentemente, a prova e os exercícios escritos foi única maneira de ter retorno.


2.5. Avaliação


“Avaliação pode considerar-se processo contínuo e sistemático que permite detectar em que medida os objectivos educacionais foram atingidos”. (PROENÇA, 1998:144)

Para PILETT, (1991:190), “avaliação é um processo contínuo”.
Com as ideias destes dois autores supracitados, conclui-se que a avaliação é um instrumento usado no programa de ensino e aprendizagem para verificar e controlar o nível de alcance dos objectivos da aprendizagem.

Existem os seguintes tipos de avaliação:

  • Avaliação diagnóstica - a que se realiza no início das aulas no princípio do ano, no princípio de uma unidade temática e destina-se a verificar conhecimentos que os alunos têm, pré -requisitos que os alunos apresentam e as particularidades deste.
  • Avaliação formativa - é uma avaliação contínua e sistemática que pode ser realizada em qualquer momento do decurso de uma aula. Esta avaliação pode ainda se designar por avaliação contínua - é realiza-se na sala de aula, de maneira regular.
  • Avaliação sumativa - realiza-se no fim de um semestre, trimestre, e consiste na formulação de síntese das informações recolhidas sobre o desenvolvimento das aprendizagens e competências definidas para cada área curricular e disciplinar.
A elaboração de uma avaliação não se resume apenas na formação de questionário, porque isto também pode se aliar ao uso do método expositivo. 

Há condições e técnicas a observar. Portanto, das condições necessárias para a elaboração pode-se indicar o estabelecimento de forma clara o que vai ser avaliado, elaborar de forma clara as questões a colocar ao aluno e sempre estar ciente que a avaliação não é um instrumento de punição mas sim um instrumento de medição sobre o quanto foi adquirido pelo aprendente e ao respectivo professor é um instrumento de medição sobre o seu desempenho. 

Por isso, não avalia-se apenas ao aluno, também o professor que lecciona.

A estudante praticante teve oportunidade proceder uma avaliação sumativa aos alunos o que permitiu apurar as competências, habilidades e aptidões individuais em termos numérico.

Ciente de que o professor não é tudo na sala de aulas, sendo “orientador do ensino (...) fonte de estimulo que leve o aluno a reagir para que se processe a aprendizagem” (NÉRICI, 1991: 19) e “o professor desempenhar um papel de facilitador. 

Leva o estudante a viver experiências significativas que o ajudam a penetrar na sua vivência experiencial, no seu futuro íntimo” (BERTRAND, 2006: 54),
O processo de avaliação sendo o auge do processo de ensino e aprendizagem, conclui-se que, este, realiza-se mediante estratégias, métodos, técnicas e procedimentos didácticos já previstos, ensaiados e preparados.

Estas estratégias, métodos e técnicas, encontram-se as funções didácticas.


2.7. Funções Didácticas


Como anteriormente se referiu, o trabalho do docente educativo é uma actividade planificada e intencional com a finalidade de desenvolver as capacidades e habilidades no educando, levando-lhes a saber ser e agir na sua vida social, e, para isso, o professor deve possuir capacidade de organizar seu trabalho para alcançar com qualidade os objectivos planificados.

A realização de uma aula (...) requer uma estrutura didáctica, isto é, etapas ou passos mais ou menos constantes que estabelecem a sequência de ensino de acordo com a matéria ensinada, característica do grupo de alunos e de situações didácticas específicas” (LIBÂNEO, 1994: 178).
A actividade docente educativa é planificada e intencional que visa o desenvolvimento de capacidades e habilidades dos educandos formando-lhes a saber ser e agir, para isso, o professor deve possuir capacidades de organizar e escriturar o seu trabalho afim de que os objectivos planificados sejam alcançados com plena satisfação, significado e dinamismo por todos envolvidos. 

a estrutura de aula é um processo que implica criatividade e flexibilidade do professor, isto é, a perspicácia de saber o que fazer frente a didáctica especifica” (...), (LIBÂNEO, 1994: 179).

Com estas passagens citadas, pode-se explicar que as funções didácticas são os vários momentos que uma aula se desenvolve, como primeiro criar condições para inteirar no aluno uma nova matéria ou aquilo que se pretende tratar, criadas tais condições entra-se na matéria propriamente dita onde se deve manifestar um fluxo de ideias entre o professor e os alunos nos dois sentidos.


2.8. Actividades do Professor e do Aluno

 2.8.1. Actividades do Professor

O trabalho docente é parte integrante do processo mais global pelo qual os cidadãos são preparados para agirem e participarem na vida social. 

LIBÂNEO, 1994). Como uma tarefa de compromissos sérios com a sociedade, o professor como membro activo da mesma sociedade tem de elaborar uma série de actividades que possam desenvolver capacidades habilidades e hábitos científicos nos seus alunos.

“Cada sociedade precisa de cuidar da formação dos seus indivíduos, auxiliar no desenvolvimento das suas capacidades físicas e espirituais ” (LIBÂNEO, 1994:17).

Esta acção passa necessariamente no:
  • Uma qualitativa organização de alunos na sala de aulas para que a actividade docente educativa ocorra sem sobre saltos.
  • Motivação, que consiste em incentivar aos alunos no estudo da matéria mediante os objectivos e os resultados esperados. Mobilizar actividades mentais dos alunos como forma de garantir assimilação consciente e sólida de factos científicos desenvolvendo nos mesmos habilidades e hábitos de aprendizagem.
  • Estruturar e organizar a aula de forma sequenciada e inter relacionar os momentos do processo de ensino.
  • Proposta de conversas ou problemas que incitem curiosidade, opiniões, críticas, análise, comparação, explicação de factos e tomada de conclusões, no aluno
  • Desenvolvimento permanente de exercícios que estabelecem ligação do conhecimento dos alunos com os novos temas. 
  • O professor tem que usar técnicas e métodos que dão ênfase ao desenvolvimento de actividades em seus alunos com base em suas experiências.
De forma sumária, as actividades do professor numa aula de Geografia devem-se cingir aos propósitos de formação de habilidades e hábitos educativos que levam ao aluno a aprender de modo progressivo garantindo a sua autonomia na vida social com base numa educação renovada.
A tarefa do professor deve garantir uma educação renovada, aquela que se fundamenta no aluno, nas suas motivações e em seus interesses.   

De forma sucinta, as actividades do professor numa aula devem se cingir aos propósitos de formação de habilidades e hábitos educativos que levem ao aluno em aprender de modo progressivo.


 2.8.2. Actividade do Aluno


A actividade do aluno numa aula de História é vinculada de acordo os objectivos, métodos e técnicas previamente preparadas pelo professor. 

“As técnicas de ensino são maneiras de provocar actividades dos alunos ao processo de aprendizagem”. Estas tarefas distinguem-se em:
  • Participação efectiva na aula;
  • Colaborar nos debates, análise, síntese, explicação de factos e fenómenos científicos;
  • Desenvolver actividades individuais que estimulem capacidade de responsabilidade.


De acordo com LIBÂNEO, (1994:98) “o coroamento do processo de ensino no aluno se dá quando os alunos, independentemente, podem utilizar os conhecimentos em situações comprovadas mediante tarefas”.
  • Realizar tarefas em grupos como forma de socializar-se e desenvolver o sentido e espírito de solidariedade e cooperativo. 
  • No mundo não vivemos isoladamente mas sim em sociedades onde comungamos ideias ou saberes, os sentimentos, as felicidades e entre outros aspectos;
  • Familiarizar-se no uso de vários materiais aplicáveis a aula de História como é o caso de mapas, cartazes, retroprojectores entre outros.


2.9. Selecção dos Métodos de Ensino Adequados com a Disciplina


A questão que se coloca é o porque o comodismo, usando o único método enquanto tantos outros métodos existem para serem usados?

Nas ciências de ensino, os métodos de ensino são procedimentos pelo qual se determinam os critérios para se atingir um objectivo.

Uma das formas de relacionar os conhecimentos teóricos adquiridos na disciplina de didáctica com a realidade prática, fez-se o ensaio de vários métodos como forma de fazer perceber ao futuro professor e o mesmo ser capaz de seleccionar métodos mais adequados para o ensino da disciplina de História, isto é, abalizar-se dos métodos que mais oferecem vantagens da aprendizagem do educando.


O método didáctico é o conjunto de procedimentos lógicos e psicologicamente ordenados de que se valem o professor, para levar o aluno a elaborar conhecimentos, adquirir habilidades e incorporar atitudes ou ideias que possibilitem o seu domínio e desenvolvimento da sua intelectualidade. Idem.

Quer dizer que os métodos são determinados pela relação dos objectivos e conteúdos, apoiam-se nos meios, aglobando acções a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para alcançar determinados objectivos de uma aula.

Fundamentando de modo geral através de actividades relevantes do educando para tornar centro da sua própria aprendizagem e com a possibilidade de agir sobre as exigências e desafios a realidade social o coloca e, não fazer do aluno um simples consumidor de dados fornecidos ou elaborados pelo professor.

Assim, na qualidade de docente, durante a leccionação das aulas foram destacados os vários métodos que oferecem maior vantagem no ensino de História:

  • O método expositivo activo

Mediante o uso de técnicas de interrogação, redescoberta, debate e discussões, técnica de problemas e outras.
  • Método colectivo 
Usado quando o professor está diante de turmas numerosas como no caso do nosso país caso concreto a Escola Secundária de Nampaco, com uma média 120 alunos por turma.
  • Este método possibilita a democratização do ambiente para tal, o educador não pode esquecer que o aluno é ser individual na aprendizagem.


  • Método do trabalho individual ou independente

Possibilita ao aluno a explorar as suas possibilidades e ganhar responsabilidade, domínio e autonomia (como são os TPC`s que foram orientados ao longo das aulas).


  • Método de elaboração conjunta
Este método, consiste na proporção o ensino a um grupo de educando considerando-os todos em condições pessoais de estudo equivalentes e orienta os trabalhos escolares com base na capacidade média da classe mediante o uso da técnica de diálogo, debate, análise e interrogação.
O sucesso no processo de ensino e aprendizagem, não é simplesmente sucedido por causa de métodos, mas a disciplina dentro e fora da sala de aulas, é uma das ambas partes envolvidas neste processo  

2.10.  Disciplina na Sala de Aulas

Entende-se a disciplina como modo de agir do educando perante os colegas durante a realização das actividades escolares.

É o modo de se relacionar sem perturbar o estado psíquico e emocional dos colegas. É o agir sem perturbar a ordem na turma ou no grupo.

Na escola o professor tem de ser um exemplar em matéria de disciplina para que o aluno se inspire nele.

Ora, a própria sociedade exige ao professor uma grande responsabilidade, ordem e disciplina, e é, com este dote que ele merece respeito e reputação. 

É por esta razão que a disciplina é preocupação dos professores e das escolas.

A disciplina é parte do íntimo do indivíduo, o que significa que o indivíduo é ensinado e interioriza os padrões da vida e depois age, por isso o importante é o indivíduo tomar consciência para agir de forma consciente.


2.11.Vantagens do uso do método expositivo


Uma das vantagens a ter em conta com este método é quando colocado na posição de dialogo:

  • A mensagem apresentada é simples pretexto para desencadear a participação dos alunos, podendo haver contestação, pesquisa e discussão, sempre que oportuno e necessário.
  • Tudo para uma eficiente gestão do tempo, aqui há que referenciar o método expositivo. Pelas experiencias vividas no terreno, verificou-se que o método expositivo apresenta algumas vantagens de uso;
  • Facilita a transmissão lógica e sequencial dos conteúdos e a respeitava gestão do tempo. 
  • No entender dos colegas estagiários o uso de outros métodos, requer um equipamento didácticos tão sofisticados e que ate agora o centro em particular e, em geral os pais ainda não conseguiram atingir o tal nível. 
São métodos que roubam tempo e exigem fortes pressupostos.


2.12. Desvantagens do Método Expositivo


Este método acima citado constitui desvantagem quando é colocada na posição dogmática,

  • É uma posição em que a mensagem transmitida não pode ser contestada, devendo ser aceite sem discussão e com obrigação de repeti-la;
  • Este método é visto por alguns como método que possui motivação negativa por ser tradicional e verbalista que não apresenta mecanismo de evolução e desenvolvimento do educando;
  • Não põe em conta os princípios da actividade do aluno, sendo que no dilema actual ou contemporâneo da educação é de debater que os métodos adoptem regras para garantir uma aprendizagem activa dos alunos.
  • No entanto, método expositivo como qualquer método, não é panaceia para todas as aprendizagens que o aluno deverá realizar;
  • Segundo alguns autores, este método pode limitar a oportunidade dos alunos construírem as suas experiencias e monitorarem as suas aprendizagens. 

Quando o objectivo do currículo ou de uma unidade didáctica é desenvolver no aluno competências de resolução de problemas o método expositivo pode ser considerado desadequado pois é centrado no professor, restringindo a exploração de alternativas de resolução por parte dos alunos.



2.13. Procedimentos para o uso do Método Expositivo


Para PILETTI (2006:106) “a técnica expositiva só é viável quando o professor assume a segunda posição de “Dialogo” alem disso, ao utiliza-la, o professor deve observar os seguintes procedimentos”.
  • Estabelecer, com clareza, os objectivos da exposição;
  • Planificar a sequência dos tópicos que construirão a exposição;
  • Procurar manter os alunos em atitude reflexiva, propondo, de tempo em tempo, questões que exijam raciocínio, com apresentação de situações problemáticas, relacionadas com o tema;
  • Explorar as vivências dos alunos para enriquecer ou comprovar a exposição;
  • Promover exercícios rápidos e objectivos;
  • Efectuar recapitulações das noções apresentadas para facilitar compreensão de outras que virão a seguir;
  • Observar durante o desenvolvimento da aula, os sinais de aborrecimento e de cansaço que denunciam problemas na comunicação durante a aula expositiva, tais como a forma dos alunos se sentarem, sua sonolência e o burburinho da sala; 
  • Este método de ensino é dedutivo e é indicado quando o principal objectivo é a aprendizagem de factos, conceitos, regras e procedimentos;
  • Também pode ser usado quando os objectivos de aprendizagem e recursos disponíveis são muito complexos para serem aprendidos pelos alunos por si. Neste caso o professor reconhece a necessidade de subdividir, simplificar e estruturar a informação de modo a ser apreendida e compreendida pelos alunos;
Segundo GONÇALVES (2008), citado por, OLIVEIRA, (2010:26/27), deve usar-se este método para grandes audiências, apresentar informação nova, enquadrar um assunto conceptualmente ou estimular o interesse por um tema para principiantes;



De acordo a vivencia ao longo da pesquisa, constatou-se que para os professores da escola em referência, usam o método expositivo fora destes princípios citados por estes dois autores. Portanto, eles transformaram as metodologias de ensino, em uma constante forma padrão de ensino.


2.14. As causas do uso do método expositivo


Há um conjunto de factores que contribuem em grande medida para o uso do método expositivo, que podem advir por um lado por parte dos professores e por outro das condições criadas e ambiente em que a aula está a decorrer.
QUIST (2007:26), sustenta que muitos professores não têm tempo para usar métodos construtivistas e que colocam o aluno na situação de descoberta. Logo atendem a usar métodos de ensino mais expositivos.

Os principais factores que mais concorrem para o uso do método expositivo são:

  • Falta ou deficiente preparação pedagógica dos docentes: Muitos docentes terminam os seus estudos com lacunas que não permitem preparar uma outra pessoa;
  • A super lotação das turmas: o enchente dos alunos nas turmas, não permite que o professor deixe as aulas a serem guiadas por eles mesmos e que nem seja capaz de circular na sala para controlar a actividade do aluno;
  • Falta de recursos ou material didáctico para os alunos: professor como também o aluno, trabalham sem material didáctico que facilite a monitorização e administração das aulas. 
Falta de livros, mapas geográficos, cartazes de entre outros materiais que estando perto, facultaria a explanação da matéria e por o aluno em constante ansiedade para a aprendizagem;
  • Insuficiência de tempo: uma vez que o tempo não é suficiente, o professor corre atrás do tempo para não atrasar com o programa previamente estabelecido pelo ministério de educação, desde modo, acabando de negligenciar outros métodos produtivos e aconselháveis para serem usados neste milénio;
  • A vastidão dos conteúdos contidos nos programas de ensino: este é um dos motivos de correria, não dando espaço a outras realizações na sala de aulas;
  • A consideração que os professores atribuem aos alunos: sendo professor, vê o aluno como elemento passivo e não tenha nada na sua mente que seja útil durante o decurso das aulas.






CAPITULO III: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS


Toda a pesquisa científica cujo meio de recolha de informações sejam inquéritos ou entrevistas ou qualquer outro método não têm significado se não analisando e interpretando os dados recolhidos, ou seja, confrontar os dados com os fundamentos teóricos.


A análise e interpretação são sempre termos estreitamente ligados. A primeira “tem como objectivo organizar e sumarizar os dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto” e a segunda “procura o sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriores obtidos ” GILL (1999:168)


3.1. Local de estudo


Como se referiu no projecto deste trabalho, decorreu na Escola Secundaria de Nampaco. 

Esta escola está localizada na avenida de trabalho, próximo de control de Nacala, contudo ao lado direito para quem vai a Quinta-Nassa. Há 800 metros da estrada.


Os alunos da 8ª Classe, curso diurno é que foram alvo de estudo. Para a disciplina de História, é o primeiro ano no ensino secundário geral.


3.2. Área de Estudo


Tem universo de estudo 45 alunos dos quais 30 do sexo masculino e 15 do sexo feminino. Em termos das idades variam entre 13 a 20 anos de idade. 

Estes alunos foram observados dentro da sala de aulas, num processo rotativo de assistência as aulas e depois foram fornecidos questionário. 


Este número de turmas dos alunos é considerado superior comparando o número de turmas dos alunos que estudam na mesma classe curso nocturno.


Ocaso de 6 professores que foram inquéritos, 3 é de história e restantes 3 de diferentes disciplinas, para além do director adjunto pedagógico do curso nocturno que também fez parte no inquérito, como um pedagogo e chefe de um grupo de muitos professores naquele estabelecimento de ensino.



3.3. Os resultados do inquérito aos alunos



Antes de tudo, gostaríamos de chamar `a atenção que, ao analisarmos e interpretarmos os dados, não nos esqueçamos que, História é a disciplina que se introduz no ensino secundário geral, que foi a disciplina de referência neste trabalho científico. 

O aluno da Escola Secundária de Nampaco foi o principal adjacente deste inquérito.


Os quadros a seguir estudados representam, em síntese, as respostas `as questões do inquérito aos alunos. 

A aplicação definitiva do inquérito aos alunos foi feita com um universo de 45 alunos. Destes, 30 são homens e os restantes 15 são do sexo feminino sendo representados por 5 alunos por cada uma das 9 turmas da 8ª classe, urso diurno, da Escola Secundária de Nampaco.


De acordo com os dados apresentados sobre a profissão dos alunos, chegamos a concluir que cerca de 43 alunos da nossa amostra equivalentes a 95.5% são alunos e os restantes 2 para além de serem alunos, desempenham outras actividades.

Com a amostra de 100%, vivem nas casas dos pais e outros membros das famílias, o que conclui-se que têm tempo de ler os seus apontamentos e se calhar fazer intercâmbio de conhecimentos.

Em relação a língua materna dos alunos, os indicadores determinam que a maior parte dos nossos informantes, (42) correspondentes a 93.3% têm o Português como a segunda língua. 

O Português como a primeira língua tem apenas 0.067% (uma cifra não significante) colocando-nos na crença de que muitos dos nossos alunos usam as línguas bantu.


Relativas as suas idades de ingresso à escola, os dados ilustram que 88% deles entram com uma boa idade escolar. 


Com este número levam-nos a garantia de que os alunos ingressaram `a escola numa idade recomendada o que não justificaria grandes dificuldades na aquisição e contribuição das matérias em geral dentro da sala de aulas.


A resposta dos resultados respeitantes a interrupção ou não dos alunos na escola, os dados apontam mais que a metade da nossa amostra, (41 alunos correspondestes a 91,1%) não tiveram interrupção na carreira escolar. 

Isto nos indica que este factor não influencia, em grande escala, no fracasso escolar, em que os alunos não possam contribuir positivamente nas aulas.


Com o inquérito aos alunos, encontrou-se que não há culpabilidade da fragilidade de leccionação de aulas dos professores justificando os aspectos respeitantes as questões colocadas.

3.4. Tabela 1. Alunos entrevistados da 8ª Classe


Actividades do professor
Media de frequência do professor
Alunos a falar
4
Professor a falar
9
Trabalho em grupo
-
Trabalho individual
7
Professor na Explanação da matéria
10
Alunos colocando questões
3
Professores colocando questões
2
Ditando os apontamentos
10
Tempo total do professor:
Tempo total do aluno:
Diferença:
31’
14’
16’

Fonte: Ângela

Durante o processo de leccionação de aulas como docente da escola em referência, entrevistei 2 alunos de sexo oposto de cada turma da 8ªclasse, sendo 9 alunos do sexo masculino e 9 alunos do sexo feminino em dias alternados, onde constatei que uma parte dos alunos estão interessados em contribuir as aulas de certas disciplinas, só que estes vêm a ser limitados pelo professor que aparece na sala, dita apontamentos, se calhar explica e vai embora sem uma abertura previa com os seus alunos.


Sobre as classes anteriores onde eram leccionados outros conteúdos da disciplina de História, como é o caso de Ciências Sociais, 97.7% dos alunos afirmaram que a leccionação da matéria sempre estava virada para o professor, sendo ele sabe tudo e poucas vezes houve espaço para eles interagirem. 

Destes resultados, 70% dos nossos informantes referiu que tanto na 6ª e 7ª classe como também na 8ª classe, a maior parte dos conteúdos são referenciados somente pelos professores. Contudo, numa divergência de ideias uma parte de alunos afirmaram existir dois ou mais tipos de professores:


Primeira versão: “alguns professores fazem todo esforço para que os alunos saibam e contribuam dentro da aula mas o que tem se verificado é a calma total dos alunos. 

Para não deixar o tempo se gastando em vão em quanto a sala esta calma, e porque o tempo não é suficiente, muitos professores optam em ganhar o tempo discursando e ditando os apontamentos e assim sucessivamente todos os dias”.


Segunda versão: “Professores não deixam espaço de tempo para a interacção de vice-versa, limitando-se ditar apontamentos e avaliar”. Esta avaliação, na maior dos casos é prova escrita dentro da sala de aulas.

Segundo o estudo, os alunos são actores passivos onde a sua função quase todas disciplinas é escutar o professor a falar e posteriormente passar apontamentos.

A questão se tem tido trabalhos para casa não só em história como também nas outras disciplinas leccionadas naquela classe e o seu procedimento de correcção, 39 alunos que corresponde a 86.7% afirmaram poucas vezes receberem as tais actividades e muitas vezes os professores limitam-se em dizer que vamos corrigir e finalmente se esquecem. 

Poucos casos que se faz a correcção, tem se mandato voluntario para ler e de outrossim, o docente avalia se esta certo ou errado.



3.2.2. Tabela 2. Frequência de actividades na sala em cada45 minutos de aula


Actividades do professor
Media de frequência do professor
Alunos a falar
4
Professor a falar
9
Trabalho em grupo
-
Trabalho individual
7
Professor na Explanação da matéria
10
Alunos colocando questões
3
Professores colocando questões
2
Ditando os apontamentos
10
Tempo total do professor:
Tempo total do aluno:
Diferença:
31’
14’
16’


Fonte: Ângela



Com base a esta tabela, os resultados indicam que as actividades são monopolizadas pelos professores. O tempo de discurso do professor em cada 45’ é maior em relação o tempo que o aluno é dispensado para ousar da palavra. 

Por exemplo esta amostra indica 16 tempos de diferença entre o aluno e o professor, que segundo as metodologias moderna, seria o contrário.



3.2.3. Os resultados do inquérito aos professores e membro da direcção da escola


Gostaríamos de analisar e interpretarmos os dados ora recolhidos a partir do inquérito aos professores.

Alguns professores são do nível superior formados pela UP instituição vocacionada para a formação dos professores. Isto encoraja-nos conduzindo-nos a garantia de uma formação psico-pedagógica e permitindo deste modo uma actividade docente mais activa e profissionalizante.

Os professores entrevistados, variam, três são do sexo Masculino e 3 do sexo feminino com a experiencia que varia de 4 a 17 anos de experiência. Facto muito curioso, 4 destes professores já passaram pela universidade e ainda 2 estão em formação.

4 Professores dos 6 entrevistados, foram unânimes em afirmar que usam frequentemente o método expositivo na sala de aulas com as seguintes justificações:

Forma de gerir o tempo, uma vez que as turmas são numerosas e avançar com o programa de ensino;


Alunos não colaboram, optando em não perder tempo esperando a contribuição por parte deles.
Relativo a questão 3 que foi de falar de seu impacto e implicações pedagógicas, 100% do universo dos docentes inquéritos afirmaram que

 “O método expositivo, é vector de qualquer professor, mesmo que este não tenha sido formado. E por hábito devido a gestão do tempo que oferece, tende a ser uma moda no processo de ensino e aprendizagem e sobre tudo quando se trata de disciplinas de letra”.

Mas o membro de direcção, em nome do director adjunto pedagógico salientou que “isto parece que tende a generalizar-se. Não tendo nada a ver com a letra como também a ciência”.

Comentários foram vários mas outros, afirmaram que “Como consequência disso, temos alunos que concluem os seus níveis de ensino com medo de expressar-se ao público. 

Esta é uma das grandes lacunas que oferece o hábito no uso deste método.


Com estes discursos, deu entender que sentem-se marginalizados pelo sistema de educação.

De qualquer das formas, como noutras respostas, há legitimação das hipóteses 1 e 3: de limitação dos alunos faz com que de certa forma estes não participem activamente na aula e ausência de espaço de tempo na sala de aulas para o professor fazer o acompanhamento das actividades; e a refutação da hipótese 2: falta de formação psico-pedagógica por parte de alguns professores faz com que estes fiquem presos a este método porque não conhecem outros;


CAPITULO IV: CONCLUSÕES E RECOMNDACOES


CONCLUSÕES


Chegou-se ao fim do trabalho. Desta feita, permitam-nos dizer que foi interessante ter trabalhado nesta área de saber. 

As dificuldades ora enfrentadas pelos professores na utilização de outros métodos, encarando único “método expositivo”, esteve no centro da pesquisa feita na Escola Secundária de Nampaco – arredores da cidade de Nampula.


Esta pesquisa levou a perceber que existem problemas sérios no processo de ensino e aprendizagem por parte dos alunos. 

As dificuldades não se limitam na oralidade, mas estendem-se a outras particularidades, como é o caso de sonolência dentro da sala de aulas, reflexo de cansaço em escutar a única pessoa.


Tem se vindo a entender e de acordo com o que apuramos nesta pesquisa que, as causas deste problema reside na falta de hábito de leitura também por parte de professores e que por consequente ficam estagnados a única forma de pensar, aliado a insuficiência de tempo para as actividades dentro da sala de aulas. 


Entretanto, não fiquemos alheios às realidades dos nossos alunos. A maior parte deles têm a língua portuguesa como a segunda língua, o que a chama `a atenção para um grande esforço por parte do professor, entendido este, como o facilitador e não chefe na turma nem detentor das matérias.

Outro factor tem a ver com a falta de criatividade por parte dos professores. Há uma tendência de leccionar apenas os conteúdos fixados nos programas de ensino e nos manuais do aluno deixando de lado as dificuldades reais enfrentadas pelos alunos. 

Os professores conhecem os seus alunos e, consequentemente, os seus problemas linguísticos e suas dificuldades na competência comunicativa.


`As capacitações não direccionadas `a realidades específicas dos alunos; ausência de reuniões ou encontros do grupo de disciplina e os preconceitos em relação as actuais políticas educacionais vigentes em Moçambique podem contribuir a dogmatização do método expositivo das actividades dos professores.


RECOMENDAÇÕES


Acreditando que não existe um estudo acabado, pesquisas relativas a este objecto de estudo podem ainda ser feitas com amostras mais numerosas para também obter-se resultados mais significativos e abrangentes.

Antes de dar as contribuições para tentar colmatar a situação enfrentada pela direcção da escola, professores e alunos da 8ª Classe na Escola Secundaria de Nampaco em relação o uso do método expositivo, gostaria de salientar que o Ministério de Educação devia trabalhar de modo a enquadrar os seus professores não só pela formação que detêm, mas como também no tipo de funcionário que se espera.  

 Desta forma, dizermos que, pelo simples facto de sabermos que o método expositivo não a é estático, o professor deve estar munido de conhecimentos científicos cada vez mais actualizados e leccionar as matérias de acordo com os ambientes socioculturais dos aprendentes.

O fracasso escolar dos alunos pode residir no professor, na escola, na comunidade e no próprio aluno. O professor de História deve conhecer os seus alunos e os seus problemas durante e depois das aulas. 

Os programas de ensino e os manuais dos alunos estão bem elaborados, mas o que falta nos professores é a operacionalização dos conteúdos, usando as diferentes funções didácticas pré estabelecidos e apreendidos por eles.


A interacção, o diálogo com os nossos alunos pode nos ajudar a detectar os grandes problemas por eles enfrentados para depois proporcionarmos, um tempo em cada aula, para debates, pedido de contribuições e mais de modo a fazer aulas mais produtivas.

Para inverter o fenómeno de constante uso de método expositivo, é preciso que tenhamos um bom ambiente de trabalho, planificações com métodos adequados e realização e correcção de exercícios orais e escritos dentro da sala de aulas. 

É certo que os professores tem planificado e colocado os métodos, mais a questão preponderante é o falhanço na operacionalização. Contudo, é preciso que os professores sejam submissos e concisos de modo a posicionarem-se no lugar do aluno e 


O método expositivo, na aula de história, não é muito aconselhável, pois este, de acordo com PROENÇA (1990:56) “não permite o aproveitamento do espírito crítico do aluno”.

Tendo visto todas estas lacunas por parte de alguns professores aconselha-se que não se use muito o método expositivo mas sim paute-se na elaboração conjunta para permitir que os alunos possam colaborar na realização das tarefas escolares.

Os encontros de grupo de disciplina organizado pelo delegado de disciplina e os seminários de capacitação pedagógica, para a simulação de uma aula usando metodologias participativas, organizados pelos directores adjunto pedagógicos daquela escola, ajudaria a escola a sair deste problema. 

Não podem prenderem-se apenas nos programas de ensino ora em vigor no país, lamentarem-se da insuficiência do tempo na aula ou achar alunos como passivos ao ensino, mas sim reflectirem problemas actuais dos alunos e procurarem soluções das metodologias de ensino que posam contribuir para melhorar a competência de comunicação e o desenvolvimento de análise e de raciocínio dos alunos.


Com o estudo que se realizou na Escola Secundaria de Nampaco, concluí-se que a escola, pelo papel que desempenha na formação dos indivíduos do futuro, está ficando indiferente aos problemas dos alunos. 

Que a Escola Secundaria de Nampaco, como outras onde professores limitam-se a usar o método expositivo, trabalhem no sentido de organizar com os recursos de que se dispõem para a melhoria da qualidade de ensino.


Que os professores incutam nos alunos o espírito expressão mostrando que esta é a base da aquisição de outros conhecimentos fora daqueles orientados pelos professores em classe.


BIBLIOGRAFIA

AUSEBEL, David. Paul Aquisição e Retenção de Conhecimentos USA. Editora (1996)
BARRETO apud IVALA at all. Orientação para Elaboração de projecto e Monografia Cientifica. Nampula.2007

BERTRAND, Yves, Teorias Contemporâneas da Educação, Horizontes Pedagógicas,  2ª edição, Instituto Piaget, Lisboa, 2006
DIAS, Hildizina, et all. Manual de Práticas Pedagógicas. 1ª edição, editora educar, Maputo, 2008
GALISSON, R. Costa. Didáctica das línguas. Livraria Almeida. Lisboa. 1994

GIL, António Carlos, Métodos e Técnicas de Pesquisa Social 5 ed. Editora Atlas, SA, São Paulo, 1999
GONCALVES, Susana. Pedagogia no Ensino Superior. Dezembro (2008)
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica Geral. Cortes Editora, S. Paulo, 1994

NERICI, Imidio Giuseppe. Introdução à Didáctica Geral. 16ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 1991.

PROENÇA, Maria Cândida, Didáctica de História, texto Editora, Lisboa, 1994 

PILETTI, Claudino. Didáctica geral. 14ª ed. Editora Ática. S.A. São Paulo, 1991.

PILETTI, Claudino. Didáctica Geral. 14ª Edição, Editora ática. São Paulo, 2006

www.formacao.atwebpages.com>Home> métodos e técnicas pedagógicas

Escola secundária de Nampaco método expositivo

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